Grupo de Biodiversidade dos Açores
A colonização dos Açores fez-se por passarocos despassarados, por sementes voadoras, troncos à deriva portadores de répteis e escaravelhos, pólen e esporos, muito antes dos Portugueses cá terem chegado (~1400 DC).
É mais ou menos tido como garantido que tudo aquilo que vai para uma ilha tende a divergir da população que ficou no continente. Na ilha o clima é diferente, às vezes há ventos fortes que tornam extremamente incómodo ter asas, e às vezes a ausência de predadores permite relaxar e crescer em altura, verdura e tamanho de folha.
Por isso, nas ilhas em geral e nestas em particular, existem populações únicas no mundo, que puderam evoluir em sossego e têm características diferentes daquelas que estamos habituadas. Às vezes uma asa mais transparente, ou menos uma pétala chega para testemunharmos o poder da selecção natural ao longo de pouco tempo (a uma escala geológica).
A biodiversidade própria dos Açores, onde cada ser vivo (excepto o humano) que se atreveu a diferenciar-se da população continental leva o epíteto específico azorica (ex.: Erica azorica - urze, Laurus azorica - loureiro, Hedera azorica - hera), tem sido pormenorizadamente documentada pelo Grupo de Biodiversidade dos Açores. Podem conhecer melhor o projecto aqui [link]....ler tudo>>
colocado por Rita às 9:54 a.m. categorias: biodiversidade, Diários dos Açores 1 comentários
Sabes que estás na Terceira quando...
Fugindo por instantes ao tema ambiente, este é um daqueles guias que se elaboram quando se reside num sítio mais do que 3 meses, e que têm como objectivo ajudar à sobrevivência de qualquer viajante que leve uma pancada na cabeça e acorde em paragens desconhecidas. Assim sendo, se isso acontecer, pode-se começar a desconfiar que se aterrou na Ilha Terceira quando:
[Já me esquecia de uma das mais importantes: Sabes que estás na Terceira quando uma das marchas no S.João é da JSD!]
1. Chegas em qualquer estação do ano e as pessoas dizem-te: «Vieste mesmo em boa altura, as festas estão a começar!»
2. 99% das estradas ou ruas chamam-se canadas.
3. 99% das canadas são de sentido único.
4. Não podes sair de casa porque há tourada à corda na tua rua.
5. Não podes entrar em casa porque há tourada à corda na tua rua.
6. Não tens autocarro para casa porque há tourada à corda numa rua.
7. A empregada de limpeza não pode ir a tua casa porque havia tourada à corda na rua dela.
8. 'Pessoa', 'senhor/senhora' e outros termos referentes a seres humanos são substituídos pelas palavras 'tia' e 'tio'. Passo a ilustrar com exemplos verídicos:
«- Porque é que estão vacas no adro da Igreja?
- Foi um tio que pediu para as pôr ali e já agora dão conta da erva que estava a ficar grande.»
«- Porque é que há vacas na Universidade?
- Foi um tio que pediu para as põr ali e já agora dão conta da erva que estava a ficar grande.»
«-Porque é que há pedras a tapar a gruta?
- Foi um tio que as pôs para as vacas dele não caírem para lá para dentro.»
«- Os quadros de escamas de peixe são bonitos!
- São, há lá uma tia em Angra que faz disto. É mulher do tio que é dono das vacas que estão lá na Universidade...»
9. Há 2 vacas por cada habitante e 10 habitantes por cada multibanco.
10. 'Alcatra' pode ser um prato de peixe.
11. Alguém comenta contigo que não gosta nada de praias com areia.
12. A parte mais provável de se queimar na praia é a planta dos pés.
13. Um dos motes dos adolescentes do sexo masculino (e daqueles cuja mente estacionou nessa idade) é que «a piada é apanhar o touro na rua e levá-lo para casa». (Tirem as vossas conclusões...)
14. As lojas de turismo vendem coisas com hortênsias ou touros. Deduz-se que os Terceirenses adoram hortênsias e touros. Um dia houve-se dizer que «as hortênsias são uma praga» e repara-se que massacram os touros até à exaustão nas touradas de corda, e depois ainda mandam vir 'toureiros' do continente para os picarem na praça.
15. As coisas não são 'tão grandes' mas sim 'tanto de grandes'.
16. Todos os nativos com mais de 25 anos já casaram ou fugiram para não os obrigarem a casar.
17. Só pode ir à base das Lajes quem lá tiver família ou conhecidos. A ilha inteira faz compras na base das Lajes.
18. É mais fácil encontrar produtos made in USA do que made in China ou made in Portugal.
19. Quem não faz desporto (nem que sejam caminhadas pela serra de Stª Bárbara acima) é porque está acamado, tetraplégico, ausente ou morto.
20. Vai-se a uma loja comprar botas de borracha para andar no campo, pedem-se galochas e põe-nos umas socas de madeira à frente.
21. Grande parte dos nativos fala rudimentos de inglês por causa da presença americana nas Lajes. Uma parte desses nativos pensa que fala americano.
22. As pessoas das outras ilhas dizem-te que «os Açores são 8 ilhas e um parque de diversões». Os Terceirenses negam mas não se indignam muito.
23. As pessoas das outras ilhas dizem-te que «a Terceira é a ilha dos gays». Os Terceirenses indignam-se um bocadito e respondem que é porque os das outras ilhas vieram todos para cá.
24. Vais no meio da rua e gritas Borges, Nunes, Enes ou Bettencourt. Param pelo menos 3 pessoas a olhar para ti.
25. De Maio a Outubro decorrem as festas do Santo Espírito e podes acertar o relógio às 21:00 (1 foguete) e às 23:00 (2 foguetes).
E o que ainda me falta descobrir...;)
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colocado por Rita às 7:13 p.m. categorias: Diários dos Açores 9 comentários
La Dolce Vita
_Angra é uma cidade classificada como património histórico mundial, e para reduzir a circulação automóvel há autocarros gratuitos em toda a zona urbana. Há ecopontos pequeninos e discretos, um mercado municipal que parece uma aldeiazinha dentro de muros e dúzias de esplanadas para se apanhar sol.
_As lojas abrem de acordo com a hora local (9:30) mas fecham pela hora continental (18:00), por isso depois dessa hora acabou-se o consumismo e as alternativas são os passeios a pé, o centro cultural com cinema, a praia, os jardins municipais, os centros hípicos, o ginásio, o teatro ou os museus sempre com exposições itinerantes. Eu aderi imediatamente às caminhadas e passei a levantar-me às 6:40 para fazer 1:30 de marcha ao Monte do Brasil e com sorte dar um mergulho na praia. Às 8:30 está toda a gente de volta à sua casa e depois encontramo-nos às 9:00 para seguir para a Universidade. Aos fins de semana também há caminhadas mais longas (dia inteiro), organizadas pelos Montanheiros, que têm um museu com a colecção de minerais mais fantástica que já vi. Estes passeios são óptimos para se conhecer a ilha a pé, ver os pontos interessantes, as plantas e bichos raros, as furnas e as grutas, e têm o benefício de nos fazer aterrar na cama e dormir que nem um bebé mal chegamos a casa (depois de limpa a lama dos diversos sítios onde ela, muito inconvenientemente, se enfiou).
_Prometo detalhes sobre o panorama ambiental dos Açores brevemente... entretanto, não me vou esquecer que estou num grão de areia no meio do mar e vou continuar atenta às coisas verdes no geral:)
Angra do Heroísmo vista do Monte do Brasil
Caminhada organizada pelos Montanheiros na zona da Serreta (oeste)
Coisas que se encontram na estrada...

A minha rua!!
A fera de estimação do campus... dá pelo nome de Pantufa
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colocado por Rita às 3:51 p.m. categorias: Diários dos Açores 5 comentários
próxima paragem

(Mais uma vez se demonstra que Biologia é afinal um dos cursos com mais saída... para fora de Portugal continental, e em busca de governos que nos tratem melhor...*suspiro*)
(Deus, faz com que lá vendam pastéis de nata...*suspiro*)
...ler tudo>>colocado por Rita às 5:42 p.m. categorias: Diários dos Açores 1 comentários




