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Mal me quer, bem me quer... estás a torturar a flor para quê, pá?!


Ocorreu-me que isto fosse um problema porque cada vez mais dou de caras com anúncios do género "find your green/environmentalist/zen/buddhist/earthloving soulmate" nos sites ambientais que costumo visitar. Comecei a pensar: mas estes sites vendem-se assim tão facilmente a agências de encontros online, ou a coisa está mesmo difícil? Será mesmo impossível construir uma vida a dois com alguém que não partilha a nossa compaixão pela humanidade, ou a nossa preocupação com o ambiente?

Bem, olhando à minha volta, não posso dizer que conheça uma única pessoa que viva por alguns destes valores 'holísticos' e que esteja numa relação com uma criatura consumista alienada do impacto das suas acções no ambiente e na humanidade. Ou já esteve e removeu-se disso, ou conseguiu sensibilizar o/a dito/a para uma nova aproximação à vida.

Posto isto, resolvi pesquisar porquê a inundação de sites para 'green matching' (GreenPassions, Care2, etc.) . Afinal há tanto consultório emocional online, o problema já devia ter sido abordado algures. E afinal deve mesmo ser um problema. Encontrei dezenas de artigos sobre isto, com explicações detalhadas do conflito que se gera entre pessoas que têm aproximações muito diferentes ao mundo, principalmente quando o 'diferente' diz respeito à atitude ambiental. E o problema também existe à escala empresarial: o livro «Greener Marketing» [link] de Martin Charter e Michael J. Polonsky explica que entre empresas com visões diferentes do que deve ser o impacto no meio ambiente «the environmentalist partner is likely to exit the relationship when the alliance no longer meets its ecological goals».

Ficam uns excertos dos resultados mais interessantes. E a conclusão geral que em caso de incompatibilidade comprovada, o melhor é de certeza não insistir. De qualquer maneira, o material vai ser reutilizado, o que é bastante ecológico;)

- Can You Survive a Relationship with a Partner Who Isn't Green? no planetgreen [link] . Eric Leech, o autor de uma coluna sobre saúde sexual e romance 'ecológico', que parece um rapaz sensível e com algum discernimento, explica como podem os comentários que normalmente já caem mal, do tipo "essa história do aquecimento global é uma lavagem cerebral à humanidade" podem ser clivantes numa relação.

- Incompatible Desires and the Less is Less Principle no blog dos membros da Wellsphere [link]. Um dos membros disserta sobre a sua experiência de recusar prendas, jantares e convites para actividades que vão contra os seus valores, e o impacto que isso tem na sua esfera de relações. Ou aceitar, e o impacto que isso tem em si propria ao sentir-se hipócrita. E conclui que o melhor mesmo é viver com menos: menos tralha e menos bagagem 'mental', mais tolerância, porque para cada ganho para um dos lados, é provável que haja uma perda para o outro.

- 'Green rage' putting relationships at risk na secção Life Expressions do OneIndia [link]. São citados dois ínquéritos feitos a uma pequena amostra de britãnicos, em que se descobre que 1 em cada 5 nem sequer considera uma relação com alguém que não tenha os mesmos 'standads ambientais'. E que provavelmente vai haver chatices no trabalho se os colegas deixarem os monitores em standby durante a noite ou imprimirem a torto e a direito. Ui!

- I Love You But You Love Meat - no NY Times [link]. Um artigo sobre pessoas que escolhem as suas dietas por motivos éticos - e é bom que as suas relações estejam na mesma sintonia, ou já eram. Curiosamente, há uma facção oposta que também se recusa a estabelecer relações próximas com quem não estiver disposto a acompanhá-los em todas as experiências gastronómicas. Não deixa de ser engraçada a visão de Anthony Bourdain, autor do livro "Kitchen Confidential": «vegetarians, and their Hezbollah-like splinter faction, the vegans ... are the enemy of everything good and decent in the human spirit». E eu a pensar que os vegetarianos eram os radicais! De que é que ele se queixa, não é como se lhe estivessem a tirar o pão da boca, não é...?

Até breve:)...ler tudo>>

Nós por dentro


Nos últimos tempos tudo à minha volta tem convergido para me fazer pensar na separação que fazemos entre a nossa pessoa e os outros. Toda a gente usa, várias vezes por dia, expressões como «as pessoas», «os portugueses», «os europeus», «as mulheres», «os homens», etc., normalmente para nos situarmos em relação - e normalmente numa posição diametralmente oposta e moralmente muito mais bonita - a esses grupos.

Isto faz tanto sentido como aquela anedota dos dois grãos de areia que vão no deserto e em que um se vira para o outro e diz «Psst! Acho que estamos a ser seguidos...».

As pessoas somos nós. E se reconhecemos comportamentos chatinhos nos outros, é porque já os tivémos e graças a [inserir objecto de culto] conseguimos ter o discernimento para os compreender e abandoná-los. Ou não. «As pessoas não respeitam o ambiente» - diz para a câmara de TV o respeitável cidadão carregado de lindos sacos metalizados com compras de Natal em plástico made in China por criancinhas de 5 anos.

Nutra coisa que reparei (e isto aplica-se directamente ao parágrafo anterior) é como é fácil inventar a maldade em tudo o que é exterior ao nosso invólucro de pele. É como olhar para uma parede branca de 2x3 m e o olhar ficar preso no pontinho de tinta preta que está lá. A beleza está nos olhos de quem vê, e a atracção pelo feio também deve ter algo a ver com as tendências do observador. Lá dizia o filósofo que não podemos observar nada sem o modificarmos - e curiosamente mais tarde a Física veio comprová-lo.

Ou seja... ecológicos, ambientalistas, compassivos, simpáticos, prestáveis, íntegros e integrados, generosos, etc., só vale a pena sê-lo por nós próprios, para cumprir com o que queremos ser. Podemos ser muito ecológicos, mas os únicos capazes de ver a verdadeira motivação por trás disso somos nós. Os outros vão ver o que bem lhes apetecer*. So...how ecologic do you feel now;)?


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*O que também se aplica no sentido contrário, explicando o facto de muitas princesas acabarem no estômago de um crocodilo quando na verdade pensavam que iam beijar aquilo que viam como um lindo sapo.
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Lembra-te,

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Parabéns!


Nasceu a [Greenpeace Portugal]! :)
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Bom fim de semana

Na falta de algo melhor para vos deixar, e como está um tempo lindo, vamos esquecer as notícias deprimentes ou chamadas de atenção para problemas ambientais, deixo-vos antes com uma maravilha da natureza. Humana. Às vezes esquecemo-nos que fazemos parte dela.



free music
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Manifesto Neo-Verde

Há uns tempos dei com o seguinte texto no blog Bolinas, do Manuel Rocha. A eco-verde que há em mim teve vontade de lhe bater imediatamente com uma garrafa de PET, reutilizando-a em vez de reciclar, porque reutilizar não gasta energia. Depois pensei nas neoverdices que me encaixam que nem uma luva, e aos meus amigos ecológicamente correctos também. E esta, hein?

«Fruto de um casamento de conveniência entre os burgueses que somos e os cidadãos que gostaríamos de ser, nasceu um híbrido: o neo-verde !
O neo–verde, é o prematuro-mutante-viável de uma tentativa desconseguida de compreensão do sentido da Vida. Prematuro, porque não sobrevive sem um sistema exterior de apoio – os média e os congressos de educação ambiental; mutante viável, porque resulta da evolução possível de quem tentou perceber os fundamentos da ecologia, mas percebeu mal !
O neo- verde tem formação média ou superior e encontra-se disponível em duas versões: light e hard ! O neo-verde light, proclama sempre que pode que é preciso salvar o planeta, compra as fitas do novel-Nobel pela internet e é assinante da National Geografic. O neo-verde hard,vai mais longe: só consome produtos com certificação ambiental equando trocar de carro quer comprar um Honda-hibrido (o Lexus estáfora do orçamento).
O neo verde é a personificação de todas as pseudo-certezas imaturasque atingem os pós-adolescentes tardios . Confunde sabedoria comconhecimento e não distingue conhecimento de informação. Por isso,acredita hoje no aquecimento global e amanhã há-de acreditar noarrefecimento global. O neo-verde é evolucionista desde o Big Bang e além disso conseguiu a proeza de simplificar para dois a complexa fórmula dos três R's – o entendimento neo-verde é que quem recicla, reduz !
Pode-se pois dizer que a cultura neo-verde se caracteriza por umaespécie de neo-provincianismo invertido. Explico: ele sabe exactamenteo que é preciso fazer para salvar o planeta, mas não faz ideia de como se semeia um alho. No entanto, se colocado perante esta dificuldade, o neo-verde tem sempre a resposta pronta: "esse tipo de questão não é linear, tem contornos mais complexos e outro tipo de implicações, e por isso não deve ser abordada de uma forma simplista sem antes se proceder a uma avaliação integral de todos os impactos". E o alho, agradece!
O neo-verde não prescinde da janela panorâmica na marquise, mas quando tiver dinheiro quer equipá-la com vidro duplo. O neo-verde é consumidor de Actimel e está na expectativa de que brevemente a ciência torne biodegradáveis as respectivas garrafinhas. O neo-verde está em permanente dieta de hidratos de carbono, e por isso não vê inconveniente em que com trigo se produza etanol para os motores a gasolina.
Contrariamente ao demodé verde-contestatário, a personalidade neo-verde é por natureza conciliadora: acredita no valor do consenso como menor denominador comum para um futuro melhor, e pauta-se por princípios de uma saudável flexibilidade. Por exemplo: se tiver queoptar entre qualquer questão verde e o cheque do fim do mês, oneo-verde encontra sempre forma de ficar com o cheque !
Ambientalmente falando, o neo-verde é ejaculador precoce, isto é, anda sempre tão excitado com a questão que ao mínimo estimulo debita verdura, deixando o interlocutor sempre insatisfeito. Exemplo: o neo-verde é exímio em conceitos éticos, mas chega sempre atrasado às reuniões.
Para além disso o neo- verde tem bons hábitos sociais e hobbies sustentáveis, tipo sócio de um moto clube que promove passeios de natureza. Assim, num fim de semana soalheiro, procura um pendura tão verde-alface quanto possível, e vão em caravana ver os golfinhos ao zoomarine ou ouvir os passarinhos ao sitio das fontes. Claro que se estiver de chuva, o neo-verde fará como o comum dos mortais: mete-se com a família no monovolume do pai e vai passar a tarde ao Fórum local. Foi exactamente numa dessas tardes em que arrastava indolentemente as solas recicladas pelos reluzentes pavimentos da catedral do consumo, que o neo-verde exultou com a novidade: acabava de ganhar o Nobel !!!
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Vão dar os parabéns ao Manuel ao seu blog: http://manuelrrocha.blogspot.com ....ler tudo>>

PIF - Pay it Forward


Caí nisto numa visita ao blog do Nuno e da Paula. É uma corrente de prendas - as 3 primeiras pessoas a comentar este post recebem uma prenda "feita" por mim, e têm que dar continuidade à iniciativa no blog delas!
Nada melhor para celebrar o espírito natalício:) Vá, nem sabem o que vos espera;)
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Amor com amor se paga:)

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Eco-people

...Os ECOCLUBES são organizações que existem em todo o mundo, compostas principalmente por jovens, e que se dedicam a projectos ambientais de preferência no âmbito da cidadania, dinamizando pessoas que apesar de não pertencerem aos EcoClubes, querem e podem fazer algo por um ambiente melhor (the more, the merrier!).
Em Portugal já existe uma boa dúzia deles, bem dinâmicos, e alguns foram criados com base nas escolas, mas isto não é necessário. Qualquer pessoa pode fundar um EcoClube e pôr a sua comunidade a mexer. Para isso tem o apoio da coordenação nacional de EcoClubes, que os ajuda a organizarem-se e a conseguir apoios.
Faz todo o sentido que sejam empresas locais a investir no melhoramento da qualidade de vida se querem que as pessoas (i.e. clientes) continuem nas comunidades onde nasceram em vez de se mudarem para os grandes centros urbanos.

Bem melhor do que ficar a ver os filmes da TVI ao Domingo à tarde......ler tudo>>

Ambientalista?!? Não obrigado!

...O movimento ambientalista e o movimento de defesa dos animais (geralmente associados porque quem faz parte de um está também no outro) costumam ser atribuídos aos "maluquinhos", "idealistas", etc. Não é igual em todos os países, mas em Portugal é fácil encontrar essa atitude.

Infelizmente nestes movimentos existem também "radicais" que tentam impôr ideias com argumentos cientificamente falsos, e que só provocam atraso no avanço da ciência. Por causa disto ninguém que queira ter credibilidade entre os colegas cientistas se atreve a ter uma posição pública nestas causas.

Felizmente, nem tudo são radicais. Nas minhas andanças pela Europa, tenho encontrado muitos colegas que, com malucos ambientalistas à solta ou não, assinam por baixo do que acreditam sem medo e até têm paciência quando apanham um radical para o sentar num café e explicar-lhe que as coisas não são assim tão lineares, é injustificável usar violência seja para o que for, mas sim, é possível chegar lá racionalmente. Até porque a razão, só por si, está do nosso lado. O bom senso também.

São cada vez mais os que não não desdenham da causa ambientalista nem do respeito pelos animais, que estão intimamente ligadas porque fazem ambas parte da consciência social que é necessária para viver com mais parcimónia, quer entre seres humanos quer com o resto do planeta.

óbvio que quem consegue ser tão irracional a ponto de negar a si próprio que os animais sofrem, não deve ser propriamente um mestre do insight no que diz respeito a outros aspectos da vida, como o ambientalismo e os direitos humanos.)

E com o passar do tempo somos cada vez mais, aqueles que pensam pela própria cabeça e são activamente aquilo em que acreditam, o que é bem melhor do que pensar pelos preconceitos culturais dos outros e ser aquilo que "parece bem".

(e como já escrevi uma vez, não é por sermos ambientalistas ou amigos dos animais que deixámos de ir longe). ...ler tudo>>