É facto conhecido para uma boa parte dos adultos e para a totalidade das crianças que para coisas importantes, é precisa a pessoa certa. É precisa uma pessoa certa para melhor amigo. É precisa a pessoa certa em quem confiarmos para podemos ter um filho, ou para nos dar a conhecer a banda que nos permite sobreviver à adolescência. Quando as convergências cósmicas não estão afinadas, fica o caldo entornado e a sensação de que foi quase quase perfeito mas... não chegou lá. A pessoa certa na altura correspondente pode ser o fósforo que inicia uma revolução com uma palavra. (Em casos históricos documentados a palavra tomou a forma física de um tiro ou um murro bem assente).
Esta semana aconteceu-me uma coisa que nunca pensei que poderia acontecer: encontrei a pessoa certa para me fazer gostar de poesia. Juro que a estrofe nunca me caiu bem no gôto como forma de expressão, sabe-se lá porquê. Mesmo o Fernando Pessoa e todos os seus heterónimos não me conquistaram como poetas, admirava a lucidez por trás da escrita mas não os versos.
Enviaram-me um livro de poemas misturado com outros que tinha pedido, apesar de eu já ter jurado a pés juntos que não gostava de poesia - o que nem se deve dizer porque parece uma blasfémia. Qual livro? Este:
Esta semana aconteceu-me uma coisa que nunca pensei que poderia acontecer: encontrei a pessoa certa para me fazer gostar de poesia. Juro que a estrofe nunca me caiu bem no gôto como forma de expressão, sabe-se lá porquê. Mesmo o Fernando Pessoa e todos os seus heterónimos não me conquistaram como poetas, admirava a lucidez por trás da escrita mas não os versos.
Enviaram-me um livro de poemas misturado com outros que tinha pedido, apesar de eu já ter jurado a pés juntos que não gostava de poesia - o que nem se deve dizer porque parece uma blasfémia. Qual livro? Este:
Veinte poemas de amor y una canción desesperada
Eu li, e quando cheguei ao fim percebi que o tinha absorvido como se fosse a prosa mais cativante que já me caiu nas mãos, uma mensagem disfarçada em canto como as raparigas casadoiras faziam para enviar as respostas aos namorados quando o mundo era mais pequeno. Por isso reli, para ter a certeza que não me escapou nada.
Ah Neruda, que falta me fizeste sem eu saber que existias.
Adoro poesia. Finalmente. É «claro como uma lâmpada, simples como um anel». :)
