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bife à chefa


O Destak não é bem um jornal, é um atentado ao ambiente distribuído de graça e que vive da publicidade e onde, por isso, as notícias são suspeitas de estarem condicionadas à vontade de quem mais paga. Mas mesmo assim achei que valia a pena prestar atenção a uns parágrafos impressos na 6ª feira.

Daqui a pouco os bifes estão tão geneticamente modificados que nem são bifes. Mais uma vez, este artigo vem-nos recordar que a escolinha dá a formação mas não a educação. Lamento ver um membro da comunidade científica achar que vale mais a pena investir na fuga para a frente, respondendo às exigências dos consumidores por mais parvas que sejam, do que na reeducação. (Só por acaso, o mercado da droga também
funciona com base no mesmo princípio). Se calhar a Dr.ª abaixo mencionada acha que com bife feito em laboratório já se poupa o suficiente nas rações para depois tratar a obesidade e a hipertensão da sociedade... enfim... andam os britãnicos a fazer a gastar milhões de libras na campanha das "5 doses de vegetais por dia" [link] e afinal mais lhes valia irem construindo hospitais extra, que hão-de fazer falta.

Como se vê cada vez mais, desde que haja bolsa, há quem trabalhe no caso mesmo que seja para fazer a próxima bomba nuclear. Lamento profundamente esta realidade, porque com a formação e o conhecimento adquiridos esperam-se que venha a ética do saber aplicá-los, seja em que área for.

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Artigo: Sai um bife in vitro para a mesa do canto, 04 07 2008 09.14H [link]

Se é da geração em que acredita que o leite vem dos hipermercados, esta notícia não lhe vai fazer a menor impressão, mas caso tenha pastoreado ovelhas ou dividido a sua infância com uma «Malhadinha», é provável que fique ligeiramente perturbado. Anna Olsson, investigadora e chefe do Laboratório de Ciência Animal do IBMC, no Porto, defende num artigo publicado na prestigiada revista New Scientist, que a forma
mais eficaz de lutar contra a crise alimentar é produzirmos carne in vitro. Segundo defende, é insustentavelmente caro e irracional alimentar um bezerrinho para depois aproveitar do animal apenas uma parte.

Por outras palavras, os criadores à antiga não ganham para a ração, e a alternativa tem sido optar por criações intensivas, onde as condições de vida dos pobres bichos deixam, geralmente, muito a desejar. Uma procura maior de carne, já que não só os ocidentais continuam a consumi-las, como muitos outros povos passaram a incluí-la
na sua dieta, só vai, em sua opinião, levar a que se comece por cortar onde é mais fácil, ou seja, no bem-estar animal. Ou, usando o engenho das técnicas para produzir animais, que dos próprios acabarão por ter pouco: galinhas com mais peito e menos patas, e outros pesadelos do género.

É claro que seria mais sensato deixarmos de comer tanta carne, até porque consumimos três vezes mais proteínas animais do que aquilo de que precisamos, para não falar na gordura animal que nos faz mal, mas a investigadora parece achar que a mudança de hábitos alimentares é mais utópica do que transformar laboratórios em talhos.

Face a isto, e a bem de todas as partes, defende que era inteligente «passarmos por cima dos animais», produzindo carne a partir de células. Arte já desenvolvida na tentativa de criar órgãos para transplante, mas de aplicação mais fácil se o objectivo fosse bifes sem músculo, a parte mais complicada de fabricar. Quanto aos animais ao natural, passariam a existir numa versão afectivo/decorativa. Ou
para comer em dias de festa.

Já estou a ver vacas gigantes de plástico, espalhadas pela paisagem, ligadas a um iPod que mugia por elas. Não sei porquê, está-me mesmo a apetecer uma salada.
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brevemente, num campo perto de si


Notícia acabada de chegar ao e-mail, via Público Online: «A "Plataforma Transgénicos Fora" [PTF] criticou hoje que o Ministério do Ambiente tenha autorizado a realização de ensaios experimentais com milho geneticamente modificado (dos tipos 98140 e GA21) solicitados pelas empresas Pioneer e Syngenta para Monforte e Ferreira do Alentejo.» Continua aqui: [link]

Aparentemente, tudo dentro do normal: a PTF iria obviamente opôr-se a estes ensaios. O busílis da questão é que eu e qualquer cidadão comum só sabe destes ensaios porque a Plataforma Transgénicos Fora emitiu um comunicado de imprensa!

Ou seja, se ninguém se queixasse...
podíamos ter um campo de milho transgénico a ser testado no nosso quintal sem sabermos.

TESTADO. Significa que ainda não foi aprovado para consumo, não se sabe se o seu pólen vai matar algum elo importante da cadeia alimentar de alguma coisa com patas (incluindo nós), não se sabe se as populações próximas vão ter crises de espirros e inchar como já aconteceu com outros tipos de milho transgénico [link], e o teste para a segurança relativa à sua libertação no ambiente, paradoxalmente, inclui libertá-lo. Do género: cheira aqui um bocadinho de gás do fogão. Não te sentes mal? Tonturas, desmaios, os teus glóbulos vermelhos não morreram em massa? OK então podemos encher o quarto com isto.

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PS: [Não me entendam mal: eu não sou CONTRA os transgénicos. Não me ponham no saco dos ambientalistas que querem atar os pés e as mãos à ciência porque leram muita ficção. Eu também faço parte da comunidade científica e trabalho, com muito gosto, em biotecnologia. Sou contra a criação de vegetais e animais transgénicos para alimentação porque são completamente desnecessários ao nosso mundo e o que gastam a serem inventados, testados e produzidos dava para regar o Darfur até lá crescerem tulipas! Tal como sou contra fazerem-me o ninho atrás da orelha e aprovarem coisas relativamente a transgénicos sem informarem o povinho! Estess lindos OGM só servem para encher os bolsos a quem os produz e são uma vergonha para a comunidade científica, são usados por técnicos incompetentes para publicar artigos científicos e aumentar o seu currículo. Porque criar um transgénico é uma receita simples que se faz nas aulas práticas no 2º ou 3º ano da licenciatura em Biologia só para vermos que resulta. E hoje em dia para se publicar um artigo basta o raciocínio "deixa lá ver, já alguém se lembrou de pôr um gene de cenoura numa gaivota?". Por isso essas pessoas nem sequer merecem que lhes chamem cientistas. ]


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Os maus, os bons e os outros...

Regra básica das histórias infantis: para que os maus vençam, basta que os bons fiquem sentados sem fazer nada.


Não compro mais nada que diga "Made in China". Vou mandar cartas - cartas, e não emails - às Zaras, Pull & Bears e Mangos deste país a explicar-lhes que não ponho lá os pés enquanto não deixarem de vender coisas feitas com mão de obra chinesa (leia-se mão de obra infantil que trabalha 14 horas por dia). O mesmo conta para as Pollux, Brás & Brás e outras empresas portuguesas que muito inocentemente compram as coisas vindas de fora, da fonte mais barata possível. E para as muitas ramificações do grupo Sonae. E para o El Corte Ingléz, onde já não comprava nada de qualquer maneira porque têm uma secção nojenta de casacos de pêlo de animal, mas acho que ainda não sabem e portanto vão ficar a saber que têm menos uma cliente. Não compro mais nada sem confirmar a proveniência na respectiva etiqueta. Já boicotava a economia chinesa desde há algum tempo, intermitentemente, mas desta é de vez. Um dia eles vão boicotar a nossa bolsa de valores, por isso só me estou a adiantar. E não só vou boicotar, como vou chatear toda a gente até à medula para que boicotem. Até aderirem ao boicote, ou terem que cortar as etiquetas da roupa antes de virem para ao pé de mim. Be afraid.
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A Sanguessuga Ecológica :)

....Há pouco tempo houve um chico-esperto que declarou todo contente que a introdução de plantas transgénicas era uma mais valia para a biodiversidade porque com cada planta transgénica tínhamos mais uma espécie (Gepts, 2002, "A Comparison between Crop Domestication, Classical Plant Breeding, and Genetic Engineering", Crop Science, 42:1780–1790). Bom. Todos apreciamos a biodiversidade, mas nem por isso se decidiu colonizar Chernobyl para termos uma escolha mais variada de raças (e com alta probabilidade, formas) humanas. A biodiversidade que existe hoje em dia é o resultado do equilíbrio de pressões evolutivas e colonizações lentas ao longo de milhares ou milhões de anos, e sempre que uma espécie caiu de pára-quedas em algum sítio, como por exemplo os cães domésticos levados para as ilhas pelos descobridores, houve extinção quase instantãnea de uma mão-cheia de espécies. Outro exemplo apropriado de como uma espécie pode extinguir até parte de si mesma se houver uma população mais competitiva seria a história de como os espanhóis aterraram no meio das civilizações sul-americanas e fizeram um trabalho que foi uma limpeza, mas isso fica para outra altura...

....Tenho (temos) assistido ao nascimento de uma espécie nova que vive em simbiose com os elementos poluidores do planeta, tal qual plantinha que aprendeu a colonizar as fendas das paredes ao pé das chaminés e viver do mercúrio emitido por elas. Os ambientalistas de secretária. A sério que me incomodam, apesar de ter a certeza que tal como todos os seres, têm o seu papel no Universo. Mas se eu alguma vez for responsável pela extinção de uma espécie, é desta. Vivem da febre que recentemente atacou as empresas e que as faz investir numa fachada de responsabilidade ambiental, nem que essa fachada seja apenas produzir duas toneladas de panfletos com clichés ecológicos para os quais se cortaram 20 hectares de floresta, se misturaram 20 litros de tinta tóxica a metais pesados coloridos, e se andaram mais 20 000 km de carro para reuniões muito ambientais. Muito ecológico, desde que no fim se ponha o panfleto no Eco-Ponto. Qual? ah, o Azul. E as 500 000 garrafinhas de plástico usadas nas das reuniões no Amarelo. Pú favô. O avô do João também põe.

....Outros desesperados à procura de simbiose com esta espécie são as autarquias que querem mostrar a toda a gente que estão a implementar Agendas 21, que ninguém sabe o que são, mas desde que haja muita distribuição de folheto com dicas ecológicas, muito cartaz verde, muita àrea-de-projecto nas escolas sobre "vamos salvar o planeta", tudo bem. Se há uns anos ninguém levava os ambientalistas a sério quando tentavam salvar as baleias, agora são estas sanguessugas ecológicas que caem no ridículo, uma espécie de gestores ambientais que foge das lagartixas, tem em casa violetas africanas e ciclídeos da Amazónia em vez de mangericos e hortelã, come morangos das estufas espanholas em Janeiro e podem até já ter filhos, mas a única coisa que escreveram até agora foi um panfleto e de certeza que nunca plantaram uma árvore.

....Espero que por cada tonelada de papel que gastam abram pelo menos uma mente de um jovem que venha a tornar-se um ambientalista a sério, que faça coisas tipo oferecer plantas aromáticas à família no Natal e plantar um carvalho. Cuja madeira sirva para fazer um belo taco de basebol. Para quê, acho que vocês já perceberam...

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Relatório 2006: Controlo nacional de resíduos de pesticidas em produtos de origem vegetal

_Esta é daquelas em que tem que se rir para não chorar...

_Foi publicado hoje, 19 de Fevereiro, o relatório sobre o a presença de pesticidas nos vegetais à venda para consumo humano. Podem aceder ao documento aqui: [http://www.dgadr.pt/]

_Porque, passados 2 anos, todos nós vamos ficar felizes e contentes de saber que bananas, espinafres e outras coisas foram detectadas com níveis acima do permitido destas substãncias. Para referência, em Inglaterra é publicado um relatório similar exactamente nesta altura mas respeitante ao ano anterior. E não tem tabelas de Excell onde em vez de números aparecem coisas tipo «#VALOR!», ou casas por preencher. E as tabelas vêm em inglês, mas é porque lá essa é a primeira língua do país. Aqui não é.... mas as tabelas também vêm em inglês! Respeitando a ordem das coisas, o mirandês não devia ter ficado à frente?

_Correndo o risco de não exprimir correctamente o que penso em relação a isto (cocó), acho que um órgão governamental devia ter vergonha em publicar uma coisa nestes termos. Até apostava como foi feito pelos mesmos informáticos que trataram do concurso de Professores há uns anos atrás. E aproveitava para avisar os responsáveis pela elaboração deste relatório que qualquer bolseiro da FCT posto a fazer isto durante 2006 tinha os resultados prontinhos em Fevereiro de 2007 em vez de Fevereiro de 2008, mesmo sem Segurança Social e férias. É que as bolsas de 2 anos são raras. Por isso aconselho os meus colegas biólogos e afins a ir pedir emprego à ASAE, a responsável por esta monitorização. Sempre ficam mais bem entregues.
Fica aqui um extracto do documento:

«A informação inclui o número total de amostras analisadas, a sua origem (nacional ou estrangeira), números e percentagens de amostras que não acusaram a presença de quaisquer resíduos, que apresentaram resíduos em conformidade com os respectivos limites máximos de resíduos (LMR), nacionais e comunitários, e que excederam aqueles limites.
[...]
Apreciando as Tabelas B e C, pode concluir-se que os produtos agrícolas nos quais ocorreram infracções e os respectivos números foram os seguintes: bananas (16 infracções em 93 amostras analisadas), espinafre (3 infracções em 31 amostras), uvas (6 infracções em 72 amostras), cenouras (2 infracções em 26 amostras); morangos (2 infracções em 34 amostras), beringela (1 infracção em 29 amostras), alface (1 infracção em 47 amostras), pimento (1 infracção em 65 amostras)
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Produtos com ingredientes geneticamente modificados podem levar a etiqueta "sem ingredientes geneticamente modificados"

Eu sei que parece uma coisa que se esperaria ouvir num sketch dos Monty Python, mas não é. Passo a transcrever a notícia, que ilustra duas coisas:
- O dinheiro move montanhas mais eficientemente que a fé;
- Os responsáveis pelas decisões políticas que dizem respeito aos OGM são parvos e acham que o resto do povo também.

A fonte é o site oficial da UE sobre o estado de cada organismo geneticamente modificado que entre na Europa para fins de cultivo, transformação ou alimentação - [link] http://www.gmo-compass.org

Notícia:
Germany: Confusion about new labelling: "Without gene technology" may be "with gene technology" (January 21, 2008)

Os produtos da indústria animal, como o leite, ovos e a carne são geralmente produzidos com a ajuda de aditivos criados por engenheria genética. Apesar disso, no futuro estes produtos podem aparecer nos supermercados com etiquetas que os declaram fabricados "sem engenheria genética". Isto é o resultado de um acordo dentro do Comício Geral dos Partidos que decorre em Berlim, onde os principais interveniententes foram o CDU/CSU e o SPD.

O Ministério da Agricultura da Alemanha já submeteu uma proposta para ser convertida em resolução, segundo a qual produros de origem animal como o leite, os ovos e a carne podem ser portadores da etiqueta "sem engenheria genética" desde que a alimentação dos animais não tenha contido plantas geneticamente modificadas. Mas os aditivos, como aminoácidos, enzimas e vitaminas são permitidos nos alimentos portadores dessa etiqueta, mesmo que tenham sido fabricados com recurso a engenheria genética.

Isto é um pau de dois bicos. Um aditivo alimentar, como uma vitamina, pode ser fabricada com recurso à engenheria genética em laboratório, em caixas fechadas onde as bactérias a produzem, ou em campo, onde é produzida nas folhas ou bagas de uma planta transgénica libertada no ambiente em campos extensos.

Além disso, um animal que não foi alimentado com plantas transgénicas não é necessariamente um animal que não foi alimentado com rações livres de transgénicos. A Lei Europeia prevê que se uma ração tiver menos que 0,9% de contaminação pelo seu equivalente transgénico, não seja considerada transgénica. Mas para todos os efeitos os transgenes estão lá, e como já foi observado em alguns casos, passam para as bactérias da flora intestinal, para a carne, ovos e leite dos animais.

Assim, acabamos por ter carne, leite e ovos de animais rotulados como "sem recurso à engenheria genética" mas que:
- provêm de animais que se alimentam de ração que pode ter até 0,9% de transgenes
- levam aditivos alimentares que podem ser produzidos com recurso à transgenia sem que o consumidor saiba qual o método - confinação em laboratório (inócuo para o ambiente) ou produção em campo aberto (não inócuo para o ambiente)

A rotulação "produzido sem recurso a engenheria genética" é completamente desprovida de propósito já que a maior parte das pessoas nem sabe quais as modalidades de engenheria genética que podem ser usadas. Até os iogurtes e o pão são feitos com recurso a engenheria genética. É um golpe comercial, tipo "frangos do campo" ou "produto natural", sem significado concreto.

Posto que cerca de metade dos transgénicos cultivados para ração animal têm inserido o gene Bt, que produz a proteína Bt, insecticida para as suas pragas, evitando assim as pulverizações contra essas pragas (até ao dia em que elas ganham resistência, como já aconteceu nos USA), mais vale começarem a perguntar:

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Biologia da Desconversação


Plano Português de Conservação de uma reserva natural onde existem espécies únicas no planeta de orquídeas, plantas que já existem desde o tempo dos dinossauros, praias paradisíacas e uma das poucas populações de golfinhos que ainda subsiste no país:

1930
Procedimento: Escava-se um buraco na reserva natural para construir uma cimenteira que emite vários quilos de gases poluentes por dia e uma pedreira para onde a água possa escorrer, alterando de um dia para o outro as condições em quilómetros quadrados de àrea protegida.
Objectivo: de acordo com Darwin, só sobrevivem os indivíduos com mais resistência aos poluentes e as espécies ficam com maior fitness evolutivo. Se entretanto alguma se extinguiu, significa que não tinha adaptabilidade para estar naquela reserva e não faz lá falta.

Janeiro/2008
Procedimento: Aproveitam-se as instalações da cimenteira para fazer a incineração de resíduos tóxicos.
Objectivos: ainda de acordo com Darwin, só vão sobreviver as plantas e animais que tiverem resistência ao novo nível de poluição instituído. Prevê-se o aparecimento na reserva de populações altamente resistentes, que inclusive permitam popular outras reservas de modo a que possam ser instaladas indústrias poluentes lá dentro para aproveitar melhor o território nacional. Flores com cheiro a nitrofuranos e lagartos com 3 olhos são previsíveis e aceitáveis.
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100% broncos




Na 2ª feira fiz seguir a mensagem abaixo para a equipa da SIC Grande Reportagem, para a Dr.ª Isabel do Carmo, chefe do serviço de Endocrinologia do Hospital de Stª Maria e para a Associação Vegetariana Portuguesa. Mais tarde acrescentei-lhe uma adenda e partilhei-a também com as Associações AIMAL, Pelos Animais e Centro Vegetariano. A quem interessar...:


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Subject: Crítica ao programa Grande Reportagem 100% Vegetal


Exm.ªs Sr.s,


Escrevo-vos na qualidade de Bióloga, e bastante desagradada com o que vi na Grande Reportagem 100% Vegetal, ontem, Domingo dia 13 de Janeiro. A médica nutricionista que acompanhou o percurso do jornalista prestou um serviço de desinformação que, saído da boca de um representante da classe médica no horário nobre, contribuiu para convencer ainda mais a sociedade portuguesa a não ter uma alimentação variada.
Tendo visto o programa com atenção, fiquei com a clara sensação que a informação foi apresentada de maneira tendenciosa.
Os resultados das análises apresentados no final do programa referiam-se a níveis de nutrientes como a vitamina B12, o Ferro e o Zinco. Não foi feito nenhum exame ao Cálcio, que tem tendência a ser maior numa dieta vegetariana devido ao aumento de ingestão de vegetaisde folha verde que, com excepção dos espinafres, são os alimentos com maior quantidade de Cálcio biodisponível. Sendo crença comum que o Cálcio é um nutriente muito importante, a não inclusão de análises ao Cálcio no programa vegetariano parece-me tendenciosa. A apresentação em particular dos níveis de nutrientes que desceram e não dos parâmetros que melhoraram (com excepção do colesterol) também foi tendenciosa: não é preciso ser médico para pegar na folha das últimas análises que fizémos e ver que os parâmetros que são normalmente usados como indicadores do nosso estadode saúde não foram mencionados (passo a citar: tipos de eritrócitos, tipos de linfócitos que caracterizam o sistema imunitário, triglicéridos, análise bioquímica e colorimétrica da urina).
Além disso, tenho a apontar que como nutricionista, a médica escolhida para o acompanhamento devia estar informada de que mandar analisar os níveis de B12 só indica quanta B12 ingerimos nos dias anteriores e não o estado do nosso corpo em relação a esse nutriente: o nosso fígado tem capacidade de armazenar vitamina B12 em quantidades que dão para nos sustentar vários anos, e os parâmetros que devem ser mandados analisar para avaliar se temos carência de B12 são os que caracterizam o estado do fígado o tamanho e a velocidade de sedimentação das hemácias e dos neutrófilos (um tipo de glóbulos brancos), que na faltade B12 são produzidos com um tamanho anormalmente grande e geram uma doença chamada anemia megaloblástica. Outro método ainda mais fiável de detectar a falta de vitamina B12 no organismo é a análise aos parâmetros do fígado: dosagem de ácido metilmalónico (MMA) e homocisteína (Hcy), enzimas do fígado que dependem directamente da B12. Níveis baixos de B12 no sangue podem simplesmente significar que bebemos muita água e ela já saiu sob a forma de urina.

[ADENDA: no site criado especialmente para o programa, onde estão parãmetros mais detalhados das análises, acabei por descobrir que o nível de homocisteína do jornalista estava melhor depois da experiência vegetariana, indicando que o seu fígado estava em melhores condições em relação à B12 e não tinha carência deste nutriente mas estava até mais bem aprovisionado. Não sendo mentira que passado dois meses o jornalista tinha menos B12 no sangue, é mentira que ele tivesse descido o seu nível nutricional de B12 conforme se quis dar a entender].

Da mesma maneira, para avaliar se há carência de Ferro manda-se analisar o nível de hemácias (glóbulos vermelhos) e fazer uma prova deesforço que deve ser comparada com uma prova de esforço feita antes do início do regime vegetariano. A falta de Ferro provocaria uma menor capacidade de fixação de oxigénio pelas hemácias e uma performance muito inferior na prova de esforço. Apesar destes parâmetros não terem sido mencionados, como nutricionista, a médica que participou na Grande Reportagem devia ter explicado ao jornalista-cobaia que basta incluir beterraba na dieta para que os níveis de Ferro se mantenham óptimos.
[ADENDA: se estivessem assim tão mal em relação ao Ferro os vegetarianos não podiam dar sangue, e eu sei de vários que o fazem e que foram informados pelos próprios enfermeiros que recolhem o sangue que basta ingerir beterraba para ter níveis 'normais' de Ferro e ácido fólico e poder ser dador.]

Espero que tenham em conta a minha opinião e que não surjam mais reportagens que, apesar de apresentadas cheias de boas intenções,depois revelam-se destinadas a justificar preconceitos já existentes.


Sem mais de momento,
Ana Rita Varela

Bióloga

Vegetariana desde Setembro de 1997, e com análises dentro dos parâmetros considerados "normais"


(e pronta para 50 kms de bicicleta em qualquer altura do dia)
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Vende-se vivenda

Garante-se que está bem conservada (cresci lá). Linda, boa vizinhança, óptimos acessos a Lisboa (30 min), situada na rota do futuro TGV. Dá-se preferência a surdos fumadores (mais alcatrão, menos alcatrão, iam fumá-lo de qualquer maneira...)




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A revolução é individual ou não é revolução

"...A quintessência da revolução é a do espírito, nascida da convicção intelectual da necessidade de mudança naqueles em que as atitudes e valores mentais que determinam o destino do desenvolvimento de uma nação. Uma revolução que tenta apenas mudar as políticas oficiais e instituições com o objectivo de melhorar as condições materiais tem poucas hipóteses de sucesso genuíno.
...Sem uma revolução no espírito, as forças que criaram as desigualdades da velha ordem mundial vao continuar operativas, constituindo uma ameaça constante ao processo de reforma e regeneração.
...Não é suficiente apenas gritar pela liberdade, democracia e direitos humanos. Tem que haver uma determinação conjunta de preserverar na luta, de fazer sacrifícios em nome de verdades superiores, de resistir às influências corruptas do desejo, má vontade, ignorância e medo."
Aung San Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, em home-arrest na Birmãnia. Não que ela tenha levantado alguma vez um dedo contra o regime. Mas levantou a voz, e a sua presença e atitude de resistência pacífica tem dado força aos birmaneses para não se rebaixarem à ditadura militar que os domina . Às vezes basta um bom exemplo.
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Bimbos - com muito gosto


Vale a pena ouvir a Antena 3 de manhã porque eles seleccionam o mais hilariante que há nas notícias e poupam-me ao trabalho de ter que passar os jornais e revistas a pente-fino. Assim, hoje fiquei a saber da seguinte declaração de Paula Bobone na revista Flash:

"A Praia da Rocha está civilizada. Tem uma coisa que eu odeio, que são os ecopontos, isso é mais uma bimbalhada à portuguesa."

Comentário do Nuno Markl (havidaemmarkl.blogs.sapo.pt), que nem de férias se cala:
"Grande sorte a da autora de Socialmente Correcto não ter nascido cartão. Ou papel. Ou garrafa de plástico. Ou pilha. Assim pode ir, directamente, para o contentor do lixo orgânico."

O meu comentário:
Oh querida, e se fechasses a matraca, antes que sejas banida por uma directiva da UE contra o excesso de poluição mental?...ler tudo>>