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Este artigo na The Ecologist[link] sobre carros open-source deu-me umas ideias sobre o que seria o carro ideal.


- É eléctrico ou funciona com uma bateria de hidrogénio produzido de forma não danosa para o ambiente;
- São alugados a curto/médio/longo prazo conforme as necessidades do cliente em vez de ter que se comprar um carro e ficar limitado pelo seu tamanho/consumo/velocidade;
- A manutenção é da responsabilidade da empresa que faz o leasing e os custos destas são diluídos no aluguer.
- Podem ser alugados por telefone ou internet para o local necessário e pelo tempo necessário, e devolvidos numa rede de pontos de recepção bem espalhada.

Desta maneira:
- Não há produção de todos os gases que hoje em dia andam a sair pelos tubos de escape;
- O mesmo carro pode ser partilhado por centenas de pessoas num mês, pessoas que provavelmente têm carros estacionados à porta de casa, a bloquear os passeios, e só os usam ao fim de semana.
- Carros que se tornam obsoletos porque estão a consumir demais, cuja manutenção se tornou cara demais ou estão a poluir demais são postos fora de circulação porque não existe o problema do seu dono não ter dinheiro para trocar de carro;
- Deixa de existir o problema do estacionamento nas grandes cidades, basta entregar o carro num ponto de recepção e marcá-lo para a hora a que se deseja voltar para casa;
- No total, o leasing deve ficar muito mais barato do que comprar um carro, abastecê-lo e fazer a sua manutenção (calculo eu), e não estamos preocupados com os 10 ou 15 000 euros que temos estacionados na rua sujeitos a serem roubados ou estragados por quem passe.

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Mal me quer, bem me quer... estás a torturar a flor para quê, pá?!


Ocorreu-me que isto fosse um problema porque cada vez mais dou de caras com anúncios do género "find your green/environmentalist/zen/buddhist/earthloving soulmate" nos sites ambientais que costumo visitar. Comecei a pensar: mas estes sites vendem-se assim tão facilmente a agências de encontros online, ou a coisa está mesmo difícil? Será mesmo impossível construir uma vida a dois com alguém que não partilha a nossa compaixão pela humanidade, ou a nossa preocupação com o ambiente?

Bem, olhando à minha volta, não posso dizer que conheça uma única pessoa que viva por alguns destes valores 'holísticos' e que esteja numa relação com uma criatura consumista alienada do impacto das suas acções no ambiente e na humanidade. Ou já esteve e removeu-se disso, ou conseguiu sensibilizar o/a dito/a para uma nova aproximação à vida.

Posto isto, resolvi pesquisar porquê a inundação de sites para 'green matching' (GreenPassions, Care2, etc.) . Afinal há tanto consultório emocional online, o problema já devia ter sido abordado algures. E afinal deve mesmo ser um problema. Encontrei dezenas de artigos sobre isto, com explicações detalhadas do conflito que se gera entre pessoas que têm aproximações muito diferentes ao mundo, principalmente quando o 'diferente' diz respeito à atitude ambiental. E o problema também existe à escala empresarial: o livro «Greener Marketing» [link] de Martin Charter e Michael J. Polonsky explica que entre empresas com visões diferentes do que deve ser o impacto no meio ambiente «the environmentalist partner is likely to exit the relationship when the alliance no longer meets its ecological goals».

Ficam uns excertos dos resultados mais interessantes. E a conclusão geral que em caso de incompatibilidade comprovada, o melhor é de certeza não insistir. De qualquer maneira, o material vai ser reutilizado, o que é bastante ecológico;)

- Can You Survive a Relationship with a Partner Who Isn't Green? no planetgreen [link] . Eric Leech, o autor de uma coluna sobre saúde sexual e romance 'ecológico', que parece um rapaz sensível e com algum discernimento, explica como podem os comentários que normalmente já caem mal, do tipo "essa história do aquecimento global é uma lavagem cerebral à humanidade" podem ser clivantes numa relação.

- Incompatible Desires and the Less is Less Principle no blog dos membros da Wellsphere [link]. Um dos membros disserta sobre a sua experiência de recusar prendas, jantares e convites para actividades que vão contra os seus valores, e o impacto que isso tem na sua esfera de relações. Ou aceitar, e o impacto que isso tem em si propria ao sentir-se hipócrita. E conclui que o melhor mesmo é viver com menos: menos tralha e menos bagagem 'mental', mais tolerância, porque para cada ganho para um dos lados, é provável que haja uma perda para o outro.

- 'Green rage' putting relationships at risk na secção Life Expressions do OneIndia [link]. São citados dois ínquéritos feitos a uma pequena amostra de britãnicos, em que se descobre que 1 em cada 5 nem sequer considera uma relação com alguém que não tenha os mesmos 'standads ambientais'. E que provavelmente vai haver chatices no trabalho se os colegas deixarem os monitores em standby durante a noite ou imprimirem a torto e a direito. Ui!

- I Love You But You Love Meat - no NY Times [link]. Um artigo sobre pessoas que escolhem as suas dietas por motivos éticos - e é bom que as suas relações estejam na mesma sintonia, ou já eram. Curiosamente, há uma facção oposta que também se recusa a estabelecer relações próximas com quem não estiver disposto a acompanhá-los em todas as experiências gastronómicas. Não deixa de ser engraçada a visão de Anthony Bourdain, autor do livro "Kitchen Confidential": «vegetarians, and their Hezbollah-like splinter faction, the vegans ... are the enemy of everything good and decent in the human spirit». E eu a pensar que os vegetarianos eram os radicais! De que é que ele se queixa, não é como se lhe estivessem a tirar o pão da boca, não é...?

Até breve:)...ler tudo>>

esteril-ização

A imagem acima é do poro por onde sai um cabelo humano [fonte:Laboratory for Scientific Visual Analysis]. Vista ao perto, a pele humana é um terreno acidentado e pouco limpo. Naturalmente.

Cada vez que nasce uma criança nova na minha família fico espantada com a quantidade de químicos que tem que se aplicar à dita, como se fosse um rebento a crescer em hidroponia. Faz-me pensar que é surpreendente que a humanidade ainda cá esteja, quando toalhetes antibacterianos para limpar o rabo aos bebés só existem há alguns anos. Como é que a espécie tem sobrevivido até agora?

Bem, para todos os efeitos a mortalidade infantil diminuiu bastante no século XX, em grande parte por causa da melhoria das condições de higiene. Mas ao mesmo tempo dispararou a quantidade de microorganismos com resistência a desinfectantes e antibióticos, bem como o número de gente com alergias e reacções tóxicas a produtos de limpeza. Afinal, pode haver higiene a mais?

Parece que sim. A pele e o cabelo são o lar de uma flora própria (tal como os intestinos) que é morta pelos sabonetes antibacterianos. Além de que produtos de limpeza demasiado agressivos removem o óleo natural da pele e esta reage ao desiquilíbrio tornando-se muito seca ou produzindo óleo a mais. E se o nosso sistema imunitário não aprender a distinguir o pólen e o pelo de gato de outras coisas realmente perigosas, vamos acabar com reacções imunitárias fortes a substâncias completamente inofensivas, ou seja: alergias. No geral, quanto mais tarde estamos em contacto com as coisas comuns, mais difícil é registar a informação correcta.

O melhor critério? Aqui em casa, qualquer coisa com mais de 10 ingredientes é de desconfiar. E embora tudo o que é de plástico pareça mais limpo e mais fácil de limpar, já está mais do que demonstrado que os plásticos vão libertando partículas para a comida e para a pele com que estão em contacto. Os recipientes de axo inóxidável (verdadeiro, e não daquele Made in China que já foi parte de uma motherboard e traz restos de mercúrio) e de vidro continuam a ser os preferidos.

Passando à sensibilização pelo pânico, ficam alguns artigos interessantes:
Sabonetes antibacterianos, quando usar e quando não usar: The Ecologist - "Behind the label: antibacterial handwash." [link]
Fraldas descartáveis: BBC - "Scientists believe disposable nappies could be linked to both male infertility and testicular cancer." [link]

Garrafas de àgua e a migração de partículas de plástico para o conteúdo: já repararam que todas as garrafas de plástico têm "manter longe da luz" impresso no tótulo? Sabem porquê? Este artigo [link] ensina a distinguir os tipos de plástico das garrafas de acordo com as indicações para reciclagem.

Dietas anti-alergia - muitas alergias e intolerâncias alimentares são apenas uma reacção natural do corpo contra substâncias que estão a ser consumidas em exagero sem sabermos, como o gluten [link] e a soja [link]. Por outro lado, quando se nasceu humano, consumir leite com anticorpos de vaca [link] é mesmo estar a pedir para dar uns espirros.

Têxteis anti-alérgicos, não tóxicos, ou como tratar alergias com pólen e animais: [link].

Produtos de limpeza sem detergentes, à base de ionização e neutralização do pó, que não provocam reacções de hipersensibilidade da pele e eczemas (e por acaso mais baratos): [link]

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Cinemateca - We Feed The World


«We Feed The World» é um documentário realizado em 2005 pelo austríaco Erwin Wagenhofer sobre alguns dos principais centros de produção da comida que nos chega aos hipermercados. É também o slogan de uma das grandes multinacionais da área da alimentação: a Pioneer Hi-Breed International Inc.
O filme inclui uma entrevista com Jean Ziegler, o Relator Especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação.

citação:
«A cada 5 segundos, uma criança com menos de 10 anos morre de fome. Uma criança que morre de fome é, na verdade, assassinada.»
Jean Ziegler, Relator Especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação.

site oficial+trailer: [link]
imbd: [link]


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feliz como as formigas


_Viver em comunidade, todos vivemos. Uns mais desligados dos outros membros da comunidade recolhidos nos seus grupos de eleição, outros em contacto com um leque alargado de indivíduos. Os grupos mais comuns são o núcleo familiar directo, os parentes próximos que se visitam algumas vezes no ano, o grupo de colegas de trabalho (quando o ambiente no trabalho o proporciona) e o grupo de amigos íntimos. E todos estes grupos se sobrepõe mais ou menos. De facto, há pessoas que fazem questão em mantê-los bem separados, enquanto outras gostam amigos, colegas e o resto fique tudo 'em família'. E há quem se abra a ambas as possibilidades, conforme a disponibilidade dos que os rodeiam, mas na verdade tenha coração suficiente para albergar todos - the more, the merrier.

_Mas quais são as consequências sociais, económicas e ambientais de cada uma destas opções? Num tempo em que escolhemos não conhecer as pessoas que vivem literalmente paredes meias connosco, em que a família directa é o nosso refúgio e o apartamento é nosso bunker contra aqueles que são inimigos pelo simples facto de serem desconhecidos - qual é o preço que estamos a pagar a todos os níveis por essa escolha?

_Como alguém que cresceu entre os compartimentos estanques de uma cidade e uma aldeia transmontana onde a família dos que se cruzam connosco quase se adivinha pelas feições, eu escolho viver em pequenas comunidades e/ou casas partilhadas sempre que o trabalho mo permite. E afinal, parece que podem existir comunidades fortes, mesmo nas cidades aparentemente descaracterizadas. E que isso é vantajoso do ponto de vista emocional, económico, ecológico... Deixo-vos o artigo abaixo:)


Living simply provides economic shelter
MARTHA IRVINE
Friday, August 8, 2008

CHICAGO (AP) -- Keri Rainsberger isn't rich. She works in the nonprofit world for a relatively low-profit salary. Yet, as many Americans are scrimping for every penny, she hardly feels the pinch.

She still tithes 10 percent of her income to her church, even as other members have cut back. She rarely worries about rising gas and food prices. And she never bothers to balance her checkbook, because she doesn't come close to spending what she has.

"I live so far below my means that it doesn't really register," says Rainsberger, a 31-year-old Chicagoan with a wiry frame and unusually sunny outlook. "I don't have to think about money."

How is this possible?

For starters, she has no car and commutes by bicycle each workday. She also has no mortgage payment and chooses to live in an "intentional community," a partly shared space where $775 a month covers everything from utilities to meals.

"In one fell swoop, I pay for the roof over my head, the food in my stomach and the lights to read by. That's a big advantage," says Rainsberger, whose high-rise living space is part of the residential program at the Keystone Ecological Urban Center in Chicago's Uptown neighborhood. Her private quarters -- larger and a bit more expensive than some -- are about 400 square feet, divided into a sitting room, a
craft room and a small bedroom. She shares bathrooms, showers, a kitchen and a large dining room with 28 other residents whose ranks include young professionals, professors and retirees.

"It's like a college dormitory, but with better conversation," she often jokes.

Of course, the concept of sharing resources has been around since the beginning of time and is used today from Amish farms to the Israeli kibbutz. For low-income families, it's often simply a matter of survival.

But those who track consumer habits say a growing need to cut costs, along with a wish to be more environmentally and spiritually conscious, is causing even more people to pool their resources, whether defined as an intentional community or not.

"The economy starts to tank. People get tired of it," says Daniel Howard, an expert in consumer research and behavior at the Cox School of Business at Southern Methodist University. "It's people saying, 'Let's get together and help one another.' And it works."

Few may have the desire or even the ability to live the Spartan lifestyle that Rainsberger learned from her Depression-era grandmother. Not everyone is willing to bicycle, for instance, in the stifling mugginess of a Chicago summer or the cold, blustery winds that sweep off Lake Michigan in winter.

But those who advocate a simpler, less consumer-driven life say there are lessons in the strategies she and other intentional communities use.

By buying their food in bulk, for instance, Rainsberger and her neighbors spend $100 to $150 per person each month for meals. (Consider that the U.S. Department of Agriculture "thrifty plan" for a single person is $200 a month.)

Some residents who own cars also share them, drastically cutting overall vehicle expenses.

While this particular intentional community has no children, similar communities trade childcare or keep costs low enough so more parents can stay home or work part-time.

The Fellowship for Intentional Community, a Missouri-based nonprofit that began a steadily growing directory of such communities in 1990, estimates that at least 100,000 Americans now live in one. They define them as groups of people living together who share common values that are religious, economic, environmental, social or any combination of those. Sometimes they own property; others rent. About a third live in urban areas, while the remainder are rural.

Laird Schaub, the Fellowship's executive secretary, says he has no proof that the growth in numbers they've seen is tied to the economy. But he has little doubt that intentional communities are better equipped to weather hard times.

"We're pretty isolated from the ups and downs of the regular economy," says Schaub, who has lived at the Sandhill Farm intentional community in Rutledge, Mo., for 34 years. The farms' 10 residents grow most of their own food and sell organic produce to the surrounding community. Some have other jobs and all share their income with the group, as do about 13 percent of the intentional communities in the Fellowship's
directory.

"You don't have to chase as many dollars to have a quality of life," Schaub says.

And that is freeing in other ways, says Duane Elgin, an environmental activist in California who focuses on simplicity.

"It isn't just cutting back on things. It's about people not needing so many things and putting more attention into their personal interests and their family and friends, being creative, being of service," says Elgin, author of the book "Voluntary Simplicity," a concept he began fostering 30 years ago. "As a result, they are richer individuals."

Lela Philbrook, a 23-year-old singer who lives in Rainsberger's intentional community, has found that to be true. She saves so much money living there that she's able to pay for voice lessons, which cost more each month than her room and board.

"That's huge," Philbrook says. She lives down the hall from her grandmother, a longtime member of the community whose room is a frequent gathering place because she has an air conditioner and wireless Internet access.

Residents also regularly congregate to play games, do puzzles and watch old episodes of "Alias" or "Veronica Mars."

Rainsberger, whose closest family is in Ohio, savors the camaraderie.

"For me, to be able to walk out my door and have everybody in the hall know me, that's a really great experience," she says. "And if anything happens to me, I know there's somebody next door who'll take care of
me."

Certainly, there are times she's had her fill of community and the inevitable difficulties that arise with any group.

"Then," she says, laughing, "you go to your room, shut the door and don't come out."

fonte: http://climate.weather.com/articles/resourcesharing080508.html

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várias boas razões para largar os sacos de plástico



nunca se sabe quando se apanha um ambientalista na caixa......ler tudo>>

Capitalismo pro-ambiental


Uma empresa chamada Destee Nation, com sede nos USA, teve a ideia de vender algo em que eu votava de certeza para produto do ano. A ideia de que os negócios locais, pequenos e familiares são melhores do que os franchisings cheios de tralha super barata, made-in-China, plastificada, parte-hoje-compra-outro-amanhã. E por incrível que pareça, uma ideia vende!

Com o objectivo de impedir que as comunidades se tornem apenas dormitórios devido à concentração do comércio em grandes armazéns, e permitir que pequenas empresas permaneçam sustentáveis (é tão bom ir a pé para o emprego!) em pequenos bairros, espalham a ideia sob a forma de t-shirts a dizer "LET'S KEEP IT".

E digam lá que às vezes não dava vontade de espetar uma plaquinha daquelas ali em cima em certas ruas que conhecemos desde sempre?;)
Reportagem sobre isto no Adbusters: [link]
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bife à chefa


O Destak não é bem um jornal, é um atentado ao ambiente distribuído de graça e que vive da publicidade e onde, por isso, as notícias são suspeitas de estarem condicionadas à vontade de quem mais paga. Mas mesmo assim achei que valia a pena prestar atenção a uns parágrafos impressos na 6ª feira.

Daqui a pouco os bifes estão tão geneticamente modificados que nem são bifes. Mais uma vez, este artigo vem-nos recordar que a escolinha dá a formação mas não a educação. Lamento ver um membro da comunidade científica achar que vale mais a pena investir na fuga para a frente, respondendo às exigências dos consumidores por mais parvas que sejam, do que na reeducação. (Só por acaso, o mercado da droga também
funciona com base no mesmo princípio). Se calhar a Dr.ª abaixo mencionada acha que com bife feito em laboratório já se poupa o suficiente nas rações para depois tratar a obesidade e a hipertensão da sociedade... enfim... andam os britãnicos a fazer a gastar milhões de libras na campanha das "5 doses de vegetais por dia" [link] e afinal mais lhes valia irem construindo hospitais extra, que hão-de fazer falta.

Como se vê cada vez mais, desde que haja bolsa, há quem trabalhe no caso mesmo que seja para fazer a próxima bomba nuclear. Lamento profundamente esta realidade, porque com a formação e o conhecimento adquiridos esperam-se que venha a ética do saber aplicá-los, seja em que área for.

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Artigo: Sai um bife in vitro para a mesa do canto, 04 07 2008 09.14H [link]

Se é da geração em que acredita que o leite vem dos hipermercados, esta notícia não lhe vai fazer a menor impressão, mas caso tenha pastoreado ovelhas ou dividido a sua infância com uma «Malhadinha», é provável que fique ligeiramente perturbado. Anna Olsson, investigadora e chefe do Laboratório de Ciência Animal do IBMC, no Porto, defende num artigo publicado na prestigiada revista New Scientist, que a forma
mais eficaz de lutar contra a crise alimentar é produzirmos carne in vitro. Segundo defende, é insustentavelmente caro e irracional alimentar um bezerrinho para depois aproveitar do animal apenas uma parte.

Por outras palavras, os criadores à antiga não ganham para a ração, e a alternativa tem sido optar por criações intensivas, onde as condições de vida dos pobres bichos deixam, geralmente, muito a desejar. Uma procura maior de carne, já que não só os ocidentais continuam a consumi-las, como muitos outros povos passaram a incluí-la
na sua dieta, só vai, em sua opinião, levar a que se comece por cortar onde é mais fácil, ou seja, no bem-estar animal. Ou, usando o engenho das técnicas para produzir animais, que dos próprios acabarão por ter pouco: galinhas com mais peito e menos patas, e outros pesadelos do género.

É claro que seria mais sensato deixarmos de comer tanta carne, até porque consumimos três vezes mais proteínas animais do que aquilo de que precisamos, para não falar na gordura animal que nos faz mal, mas a investigadora parece achar que a mudança de hábitos alimentares é mais utópica do que transformar laboratórios em talhos.

Face a isto, e a bem de todas as partes, defende que era inteligente «passarmos por cima dos animais», produzindo carne a partir de células. Arte já desenvolvida na tentativa de criar órgãos para transplante, mas de aplicação mais fácil se o objectivo fosse bifes sem músculo, a parte mais complicada de fabricar. Quanto aos animais ao natural, passariam a existir numa versão afectivo/decorativa. Ou
para comer em dias de festa.

Já estou a ver vacas gigantes de plástico, espalhadas pela paisagem, ligadas a um iPod que mugia por elas. Não sei porquê, está-me mesmo a apetecer uma salada.
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Cinemateca - A 11ª Hora


«A 11ª Hora» é um filme de 2007, escrito por Leonardo DiCaprio e dirigido pela dupla Nadia Conners/Leila Conners Petersen. Teve mais projecção por causa do actor envolvido do que por outra coisa qualquer, mas na verdade é uma compilação bastante acessível de vários problemas ambientais e das respectivas soluções que podem existir. Distingue-se da maioria dos outros documentários ambientais principalmente por isto.
Infelizmente, muitas das referências ao filme nos media apontavam-no como uma campanha de auto-promoção de mais um actor de Hollywood que resolveu para isso usar a "causa verde" (ah ah claro que o Leonardo DiCaprio precisa desesperadamente de autopromoção). Esteve brevemente em exibição em Portugal. Porquê o título? Vão ter que ver o filme para saberem;)

imbd: [link]
site oficial: [link]


e já agora visitem o site oficial do cérebro por trás do filme, que além de site pessoal é também um eco-site com muitas soluções óbvias para problemas ambientais: [www.leonardodicaprio.com]
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boicote aos combustíveis/ ao comodismo?


Esta semana recebi 2 emails indignados a incitarem o boicote aos combustíveis "para que o estado assuma o seu papel na estabilização dos preços". Um dizia para irmos a todas as gasolineiras menos à GALP e à Shell, achavam que o melhor era só ir às bombas de gasolina nos hipermercados, e o outro apelava para uma concentração no Rossio no dia 18 de Maio.

Felizmente para quem escreveu estas asneiras, o email é uma forma de comunicação onde rapidamente se perde o rasto aos autores, porque eu gostava de lhes dar uma palavrinha pessoalmente. Boicote aos combustíveis? Boicotem mas é a preguiça...e andem 100 metros em vez de deixarem o carro à porta de casa. Ou usem mais os transportes públicos. Ou vão andar de bicicleta ao fim de semana em vez de guiarem para um centro comercial. E comprem produtos locais em vez de maçãs francesas e bananas do México. Desde quando o estado tem que subsidiar a preguicite aguda e a inconsciência?
Às vezes gostava de ver se este país apanhasse um ministro do ambiente que implementasse umas medidas à sueca, tipo pagar o lixo indiferenciado ao quilo quando se entrega, ter portagens caríssimas para incentivar o uso de transportes públicos e dar às bicicletas prioridade sobre tudo o que tenha rodas.
Eu sempre andei de transportes públicos e nunca deixei de ir onde queria por causa disso. E se tiver que comprar um carro, vai ser um destes:


Disponível através da GEMCar [link]
Cálculo dos gastos e emissões do vosso carro e comparação com um eléctrico: [link]
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eco-fotografia: uma abordagem pela negativa

_Chris Jordan [link] é um fotógrafo norte-americano cujo trabalho incide sobre o consumo das massas. As suas fotos provocam reacções fortemente emotivas,



transmitem uma sensação de horror, à que se segue a urgência em fazer algo... e depois a noção da incapacidade que temos para parar a bola de neve em que o consumo se tornou. Se tivesse que escolher só uma palavra para definir o sentimento que fica depois de ver a exposição "Running the Numbers", seria "apocalíptica".
_Mas que o medo não nos paralise. Continua a ser preciso fazer algo. Ou não-fazer. Não-comprar.



Título: Cell phones 2007 - tamanho original:60x100'' - o painel inteiro mostra os 426 000 telemóveis que são deitados fora todos os dias nos USA


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Vida, morte, CO2...Em minha casa ou na tua?


Já sei que há muito tempo que não apareço aqui, nem dei justificação para tal. Posso dizer, se vos satisfizer uma alegoria, que estive enterrada no solo e adormecida com o Inverno, que nem uma semente preguiçosa e friorenta, e agora resolvi pôr duas folhas cá para fora e ver que tal está a paisagem, e se me apetece sair.

Cada ano novo faz-me (-nos) renascer para a vida como as plantas que teimam em resistir ao solo gelado e brotar da terra na Primavera, em míriades de sementes-clones da mãe que se sacrificou ao frio do Outono.

Já não é bem Primavera. Este ano fui uma planta bem preguiçosa.

Pode ter sido da idade, mas isso pode querer dizer que é porque agora já não sou uma simples semente que tem que obedecer ao ciclo de fecundação todos os anos, lutar contra o solo ano após ano, mas sim uma árvore sólida que chega a Fevereiro nua e tem que preparar todos os raminhos novos que vão nascer, suavizar os nós lenhosos para facilitar a vida a esses novos botões e fazer crescer raízes para partes de chão inexploradas.

Voltei agora porque me apeteceu e porque encontrei uma coisa que merece ser partilhada, distribuída, gritada aos ventos e de cima dos penhascos. Este site:


É um planisfério que indica, a partir do momento em que entramos, quantas pessoas nasceram, morreram e quanto CO2 foi libertado pelo país onde colocarmos o ponteiro do rato. Não demora quase nada a carregar.

P.S.:Pequena actualização: já não estou em Inglaterra (thank God!).
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